Paraíso do Tuiuti abusa da ousadia e já é a sensação do Carnaval 2018 by Jornal O Tempo - Rio Bonito/RJ   1 week ago

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O desfile da escola de Samba Paraíso do Tuiuti é o mais comentado do país nessa segunda (12/02) e ganhou destaque na mídia internacional. A escola arrebatou o publico ao passar pela Marquês de Sapucaí, na madrugada desse domingo; e superou qualquer expectativa, sobretudo com o carro Neo-Tumbeiro, último a passar pela avenida.

O enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, do carnavalesco Jack Vasconcelos, já está na boca do povo. Na avenida, a escola apresentou um Carnaval ousado, politizado, atual, com críticas claras à sociedade e à política. A agremiação trouxe, em destaque, um vampiro que trajava uma faixa presidencial, uma clara alusão ao presidente Michel Temer.

Além disso, uma ala tinha manifestantes fantoches (uma cutucada no impeachment de Dilma Rousseff) e o último carro alegórico tinha mãos que controlavam personagens que vestiam camisas verde e amarela que seguravam panelas e colher de pau, outra referência aos manifestantes favoráveis ao impeachment.

Junte a isso, os escravos chicoteados e carteiras de trabalho corroídas, uma crítica clara a reforma trabalhista.

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, como o nome já diz, tem sua origem no Morro do Tuiuti, em São Cristóvão. Nasceu em 1954 a partir fusão das escolas Unidos da Tuiuti e Paraíso da Bainas, por isso Paraíso do Tuiuti. Entre os seus fundadores estão nomes de destaque da comunidade da época como Pedro Feneno, Duca, João Hilário, Manezinho Sal, João Birão, Zequinha, Neu, Álvaro, Albino, Dona Umba, entre outros.

Nessa segunda (12/02), a Paraíso do Tuiuti domina as rodas de conversa, as redes sociais e o nome da escola ocupa a primeira posição dos tópicos mais comentados do Twitter.

A letra do enredo da Tuiuti no Carnaval 2018

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz

Eu fui mandiga, cambinda, haussá
Fui um Rei Egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se plantava gente

Ê Calunga, ê! Ê Calunga!
Preto velho me contou, preto velho me contou
Onde mora a senhora liberdade
Não tem ferro nem feitor

Amparo do Rosário ao negro benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor

E assim quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Seu eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

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